Querido amigo

Querido amigo,

Hoje, eu vejo aquelas fotos escancarando sorrisos, dos quais não me recordo o motivo. Hoje, eu leio antigas conversas de um “para sempre” que não durou nem metade disso. Hoje, eu me pego pensando em quando eu olhava para você e chorava pelo passado, mas agora, é você o passado, e eu não me importo tanto como achei que me importaria. É esse o problema, talvez não tenha sido surpresa quando você riu dos meus sentimentos mais profundos ou quando me julgou como qualquer um pode fazer. Você virou qualquer um e sinto muito por você, e não por mim. Porque eu posso conhecer alguém que vá ocupar facilmente seu lugar, mas será que terá alguém ao seu lado como eu estive. Eu espero que sim e ao mesmo tempo que não, mas isso não diz mais respeito à mim. Eu já não me importo mais, não posso mais opinar, porque hoje eu sou a estranha, na qual você esbarrará na rua. Uma rua qualquer. Você não vai sorrir quando me ver, mesmo que tenha mil motivos para fazer isso, nem chorar, mesmo que tenha outros mil, pelo contrário, vai fingir que não me conhece, que não conhece esse meu cabelo ruivo caindo no rosto, que não sente meu perfume misturado com cigarro. Você não vai beijar minha testa e nem me dizer que precisa me contar alguma coisa. Você não vai poder nem se quer alimentar lembranças. Você vai se afastar, acender um cigarro, nervoso, e acelerar o passo. Porque eu bem te conheço, e sei que vai engasgar com seu próprio orgulho. Mas, sei também que vai olhar para trás quando tiver certeza que eu já não estou mais lá, vai lembrar da minha risada que costumava ser mais escandalosa que a sua, por incrível que pareça e vai lembrar do dia que dissemos ser a família um do outro. Mas, famílias não acabam. Queria que pudéssemos estar destinados um na vida do outro para sempre. Mas, às vezes as pessoas que mais amamos, não podem ficar. Não é porque as amamos, que elas são obrigadas à nos fazer bem. Nem sempre. Foi seu caso. Querido amigo, que seja feliz, que aprenda à engolir seu orgulho e à pensar antes de deixar alguém sair de sua vida.

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Velha e louca

Nem vem tirar
Meu riso frouxo com algum conselho
Que hoje eu passei batom vermelho,
Eu tenho tido a alegria como dom
Em cada canto eu vejo o lado bom.

Mistério impossível

Ele parecia pertencer à outro mundo e como eu sempre achei também pertencer, me identifiquei. Ele sorria de um jeito dele, meio misterioso, meio privado, me fazia querer decifrar cada pedacinho de seu ser. E justo eu que mais queria entendê-lo, não conseguia nem se quer ter uma leve noção. Eu que sempre me achei especial, era nada, diante do brilho de seu olhar indecifrável. Era doloroso, ele estava bem ali, mas não onde minhas mãos podiam alcançar, talvez, porque eu ainda estivesse presa atrás das grades da vida, as mesmas grades das quais ele foi capaz de escapar. Ele me tirava o fôlego e isso é patético e romântico demais para se dizer sobre alguém, cujo os lábios sempre estiveram longe dos meus, mas é a verdade, a minha verdade. Eu tentava não olhar, tentava não o enxergar, mas eu podia sentir… Sentia sua energia vibrando, passeando pelas minhas veias como uma provocação. Ela lhe arrancava sorrisos com a mesma facilidade com que respirava, e eu, tão distraída, mal conseguia andar direito com ele por perto. Me sentia uma adolescente se apaixonando pela primeira vez. Era estranho, tudo parecia um mistério quando se tratava sobre ele e como eu sempre gostei de mistérios… Ele se tornou o meu mistério favorito e depois o mistério impossível, quando uns esbarrões pelos corredores era tudo que eu podia ter.