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Nada sério

Eu tento fingir que nada de fato está acontecendo aqui por dentro, porque não temos nada sério. Visto um casaco, olho para o lado oposto e respiro fundo, porque não temos nada sério. Tento desviar os olhos enquanto você sorri, mas eu não tento tanto assim. Jogo o cabelo para trás em uma tentativa frustrada de manter minhas mãos longe de seu corpo e roo as unhas por desespero, mas não temos nada sério.

Antes de falar algo sério você parece contar até três, aí umedece o canto dos lábios e começa à falar, mas na verdade, você quase nunca fala algo sério. Você só consegue ser sério, quando eu te tiro do sério. Quando eu te coloco contra à parede em todos os sentidos da frase. Quando eu começo à gritar, porque eu só sei gritar. E até um ser tão calmo quanto você, se irrita. Mas, não temos nada sério.

Você me chama de chata e começa à rir logo em seguida, mas não temos nada sério. Eu sei que você gosta da minha chatice, mas não temos nada sério. E mesmo querendo rir, eu cruzo os braços e reviro os olhos até você me beijar, mas não temos nada sério. E você me beija, me beija como se não quisesse parar, como se eu fosse sua primeira em tudo, mas não temos nada sério. E então a gente fica bem e divide uma birita, mas não temos nada sério. Você me chama de amor, e eu me enrosco em seus braços, depois de ter conhecido seus pais, mas não temos nada sério.

Mas logo a gente briga de novo, mas não temos nada sério. Eu sei que na maior parte do tempo é pela minha falta de paciência, mas não temos nada sério. Eu grito, falo da sua falta de maturidade, e você abaixa o rosto pra disfarçar a lágrima intrometida escapando de um de seus olhos, mas não temos nada sério. Mas você conserta tudo, porque é esse seu dom, e eu não consigo ficar brava com você por mais de dez minutos, mas não temos nada sério.

Sexta chegou. Você disse aquelas três palavrinhas que me dão pavor, mas não temos nada sério. Eu fico assustada, mas no meio da noite, eu à repito para você, mas não temos nada sério. E a gente se abraça,  a gente se ama. Mas não é nada sério. Eu tenho ciúmes do jeito com o qual ela olha para você, mas não temos nada sério. Você chora quando eu digo para parar com tudo, mas não temos nada sério. Eu acho que não consigo mais beijar outras pessoas, mas não temos nada sério. Você me diz que sou única, mas não temos nada sério. Não temos nada. Nada sério. Temos tudo. Tudo errado.

Amor do meu presente

Eu não sinto frio na barriga ao te ver. Eu não sinto a necessidade de falar com você o tempo todo. Eu não penso em você todo dia. Quase nunca sonho com você. Eu não escrevo seu nome em cada folha do meu caderno. Nem assisto filme de romance, fingindo que somos nós dois ali. Eu não crio um futuro imaginário pra gente. Não sinto vergonha de te olhar nos olhos. Não conheço nossa trilha sonora. Mas eu gosto quando você está aqui. Gosto quando beija minha testa de leve, tentando disfarçar. Gosto quando me provoca com suas mãos. Gosto quando me abraça. Gosto de dormir nos seus braços, apesar de fingir que não. Gosto quando a sua liberdade combina com a minha. Gosto quando você se preocupa. Gosto quando pergunta se vou para aquele lugar, só pra ir também. Gosto do seu jeito de me apertar e me soltar na mesma intensidade. Gosto quando você vira aquela garrafa comigo. Quando me promete que vai ficar tudo bem. Quando ri das minhas piadas sem graça. Quando promete que vamos ter uma casa cheia de animais.  Gosto. Gosto mesmo de você. Mas você não é aquele amor que eu pensei que fosse ter. Não sei nem se é amor. Mas eu quero você aqui enquanto der, porque mesmo que você não seja o amor da minha vida, é o amor do meu presente.