Fim. Recomeço

E mais uma vez eu tenho que dizer adeus e eu odeio isso, porque mais uma vez eu me envolvi mais do que devia. Sinto minha alma querendo sair do corpo, sinto como se já não pudesse caminhar e porque dói tanto? Eu já devia ter me acostumado, porque se não são eles partindo, sou sempre eu. E na verdade eu sei bem que é melhor assim porque as coisas já estão ficando engasgadas e não é mais como no começo…O começo é cruel, mas depois que passa percebemos o quanto faz falta e mais uma vez ele faz uma bendita falta. Estou começando à achar que estou predestinada à começos que não durarão muito mas que bagunçarão o suficiente.

Sinto as pernas tremulas, mas está tudo bem porque é só mais um começo como os outros foram e apenas mais um fim pro meu curriculum  e quanto à saudade, bem…ela dura pouco. Está tudo bem, mais uma vez vou recomeçar e que mal há nisso? Que venham novas decepções e que comece tudo outra vez.

O rapaz da jaqueta de couro

Ele sorriu pra mim e foi assim que tudo começou. Pela terceira vez só nessa vida, eu me apaixonei por um sorriso, mas sorrisos nem sempre são o que aparentam.

Ele caminhava carregando a jaqueta de couro nos ombros, parou pra ajeitar o cabelo no reflexo do vidro e eu não conseguia tirar os olhos dele até perder a visão. E eu quis saber mais. Ele falava de signo, fazia piada, cantava Raimundos, me ganhava e eu me perdia. 

Eu bem avisei à mim mesma pra parar, mas apesar das memórias, tanto minhas como as do rapaz, eu continuei.

Roíamos as unhas, ouvíamos Nirvana, tínhamos a mesma inicial e eu achei isso o mundo. E acordei. Cai um tombo da ilusão e apesar de não ter sido tão feio como da última vez, deixou leves hematomas.