Feliz aniversário, estranha

Hoje é seu dia, mas você nem fala mais comigo. Sua foto ainda está na minha estante, mas você nem fala mais comigo. Te falaram que eu era má companhia ou foi vontade sua? Não sei ao certo, porque parecia que iríamos mesmo fazer aquela viagem pelo mundo com vinte anos. Não devo mais comprar as passagens. Muito menos marcar hora no tatuador pra marcar meu corpo com a nossa verdade.

Ainda como naquele mesmo lugar às vezes e quando me lambuzo com sorvete de creme me lembro das vezes que você queria esfregar um inteirinho no meu rosto. Sua risada estrondosa inundava o lugar. Sempre tão simpática e eu tão fria, não sei porque nos conhecemos. Mas em algum momento nossas músicas se encontraram. As melodias tristes vindas de dois corações por cicatrizar, acho que a única coisa em comum. O que nos juntou, também nos separou e depois que as feridas cicatrizaram de vez, eu já não sabia nem mais sua música favorita.

Agora, você visualiza minha mensagem  e eu sou só mais uma que você, eu sei bem, demora dias pra responder e só responde por mera obrigação. Quando olho as lembranças acho estranho que você, justo você tenha se tornado mais uma decepção, mais uma decepção que não terei pra quem contar sem você aqui. Mas, os vídeos expostos ainda me lembram de palavras que já não fazem sentido.

Hoje é seu dia e eu não sei o que dizer, porque já não sei sobre você. Então, tão somente, feliz aniversário, estranha.

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Sua cura me levou à loucura

Morrendo. Achei que a cura fosse uma dose de você. Tomei a garrafa toda até me engasgar, mas mesmo assim não me curei. Continuei à morrer. Quebrei a garrafa e me cortei com os diversos cacos espalhados pelo chão. A dor era grande e o sangue se escorria por toda minha roupa. Coloquei aqueles curativos coloridos pra esconder as feridas e resolvi comprar outra garrafa de você, mesmo quando as lágrimas da dor ainda escapavam. Abri a garrafa. Queria só uma dose, mas o gosto era tão bom que me embriaguei de você outra vez. E então, continuei à morrer. Dessa vez, fiquei ali parada olhando para o meu reflexo apodrecendo refletido na garrafa. E sentia você queimar por dentro. Ardia cada parte do meu ser. E eu estranhamente, ria, ria daquela dor angustiante porque achava que uma hora ou outra, ela me curaria. Mas não curou. Não curava. Tomei outras doses e nada. Senti vontade de encontrar outras curas, mas meu corpo moribundo queria somente as suas doses. E então, como uma viciada em um remédio, eu continuei tomando suas doses diariamente, até que sua cura me levou à loucura.