Partir corações

Ela fechou os olhos e o beijou esperando a emoção invadi-lá, mas nada veio. Então ela abriu os olhos novamente enquanto movia os lábios feito um robô e tentou enxergar alguém que não estava lá.

Só depois de um tempo que ela se deu conta de que estava usando aquele beijo pra esquecer alguém que não se importava. Só depois de um longo tempo que ela percebeu que estava sendo tão má quanto aquele que partiu seu coração em mil pedacinhos.

Ela não era melhor do que ele, afinal de contas. Talvez, fosse igual. Talvez, fosse pior. Então porque ele era o monstro, enquanto ela fazia o papel de coitada. Porque ela se achava no direito de magoar alguém por ter sido magoada. Talvez, ela fosse o monstro da história querendo inverter os papéis. E talvez, ela merecesse cada centímetro da dor que ele a causou.

Embriagada de amor

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E lá se foi ela dormir embriagada mais uma vez, pra acordar no dia seguinte com lembranças vagas que a farão se odiar por alguns dias e lamentar o tipo de pessoa que se tornara. 

Arrependimentos preenchem sua cabeça e o vazio já sem o efeito do álcool volta arrebatador.

E ela o culpa mais uma vez pelo reflexo que vê no espelho. Porque sim, ela seria alguém melhor se ele não tivesse destruído tudo. E sem nada, ela passa as noites preenchendo sua solidão de inconstâncias e acaba em um canto embriagada mais uma vez. Embriagada de amor, embriagada de rancor, embriagada de mágoa, embriagada de tristeza.