Me(se) importar

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Eu não me importo com a nostalgia dramática que essa música me faz sentir, mesmo que se pareça com um ácido sulfúrico rasgando tudo por dentro. Não me importo de deitar no chão gelado e fitar o teto sem estrelas. Não me importo em secar as lágrimas que caem sem parar. A única coisa que me importa é ter te deixado ir e o vazio que tomou seu lugar em meu peito. Me sinto presa à um labirinto sem fim, porque não importa pra que lado eu vá, só consigo esbarrar em lembranças e jamais encontro a saída. As mesmas lembranças que chamo de meu ponto fraco, as mesmas lembranças que pra você não significam nada.

Eu só gostaria que tudo fosse diferente. Gostaria que você tivesse me conhecido de verdade. Gostaria que tivéssemos trocado mais do que olhares vagos e brincadeiras tolas. Gostaria de ter te dado um abraço forte naquela noite -aliás, você estava tão bonito naquela noite. Gostaria de ter ouvido você dizer o meu nome pela última vez. Gostaria que você sentisse algo. Eu simplesmente gostaria que você tivesse se importado comigo pelo menos por um segundo.

Deixar ir…

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Gostaria que alguém tivesse me alertado sobre se apegar às coisas e pessoas. Se alguém tivesse me dito a verdade, talvez eu não estivesse aqui com esse vazio no peito. Teria sido mais fácil saber desde o início que tudo na vida acaba um dia. Amizades, sentimentos, romances, amores, histórias, a própria vida. E agora, de mãos atadas porque ninguém me ensinou à dizer adeus para as coisas que amo, vou deixando tudo ir sem deixar nenhuma lágrima escapar. Digo adeus pra aquele amor que partiu meu coração, e o deixo ir, digo adeus àquela amizade que achei que duraria para sempre, e a deixo ir, digo adeus àquele dia em que todos nos abraçamos, e os deixo ir, digo adeus ao meu primeiro beijo, meu primeiro amor, minha primeira melhor amiga e os deixo ir, digo adeus à cada lágria, à cada sorriso, à esse ano, à tudo que vivi, digo adeus à minha eu do passado, aquele menininha inocente que chorava por tudo e a deixo ir. E assim tudo vai indo embora sem querer ficar. E aos pouco me dizem adeus, pra que enfim, eu também possa ir.

Escrever sobre o amor

Queria escrever sobre amor. Não, não pense que entendeu errado, eu realmente gostaria de poder escrever sobre o amor. Ai você lê meus textos e pensa “Mas do que essa garota está falando? Ela só escreve sobre amor”, mas é ai que você se engana. Meus textos não são fofos, eu não estou agradecendo por sentir isso e muito menos estou feliz por estar sentindo isso, então certamente ele não é sobre o amorzinho meloso que eu gostaria de escrever. Ele é apenas sobre o amor não recíproco. Dor talvez. Mas, nunca sobre amor, o amor puro. Não é fácil sentar em frente ao teclado e escrever um texto bonitinho sobre esse sentimento confuso, porque eu só consigo escrever o que eu sinto, e eu nunca me senti feliz amando alguém, e essa é a parte complicada do amor. Você só chega perto de entendê-lo quando vive uma linda história de amor, amor recíproco, não desilusões amorosas. Corações partidos não compõem um belo texto de amor. Mas, eu não tenho culpa de não ter vivido uma dessas histórias que nos tira o fôlego. Eu amei, eu fui amada, mas isso nunca aconteceu no mesmo momento. E esse é meu trauma. Eu poderia tentar inventar algo, fingi que senti, que fui feliz com isso e blá coraçãozinho blá blá, mas não estaria sendo honesta comigo mesma, e nem saberia o que escrever, porque não sei o que é ouvir um “Eu te amo” daquele que eu mais quis que dissesse isso. Aliás, não sei o que é um “Eu te amo” à algum tempo. Mas, eu respiro fundo e espero que algum dia eu possa escrever sobre o amor, amor puro e verdadeiro. O meu amor.